Ora vejo quanto sou flexível, quanto não sofro tanto mais.
Ora vejo como é fácil se perder em sentimentos obscuros, ser levada ao fundo, mas voltar atrás. Como 2 anos bastaram para mudar todo o cenário, o sentimento e carregar embora a frustração. Carregou também aquela velha esperança, desejo de vingança e o calor do meu coração.
Ora vejo como as palavras podem ser ingratas, lidas, transcorridas, falsas e jamais sensatas. Vejo, também, quanto é simples, o incerto, o satisfatório, o talvez correto. Ter vinte anos não poderia ser melhor ou pior.
Preocupações são maiores, mas são também menores, o ofício talvez um vício.
Pensamento um pouco intrínseco, aquela coisa bela que vejo melhor.
A coisa singela, sincera, não quero mais possuir tudo que vejo, pois já possuo o que posso ver.
Se não vejo, nem me importa, se beijo me conforta. Se ouço assim tua voz. Retorno ao tempo zero, ao mistério , ao simples e singelo.
Tudo que quis um dia, ainda quero mas, só agora, só agora. Acordar e não te ver mais. Relembrar e não sentir mais. O gosto é vitória, a sorte está batendo a porta.
A vida é minha maior glória. Sou bela, sou sincera. E não te machuco mais. Só esprema meu néctar e vai voando, voando, na certa, a procura do nada.
Nada completo, nada discreto, nada autêntico, nada excêntrico.
Foi no vácuo que o homem não caiu.
Foi no saco que o boi sentiu.
No zumbido da tua ausência, som que ultrapassa minha consciência.
Clima estranho, mais um ganho.
Te oprimi. Opressão sensata, opressão barata. Nem percebe e está a minha espera.
Espera ingrata, espera exata, momento ilusório, ainda habito teus sonhos.
Um momento lúcido apaga o escuro.
Lambe o azulejo, expira o desejo. Solta um leve bocejo, coça a virilha. Espreguiça.
Alonga a costela, olha bem pra ela. Moça da revista, bunda de fora, decote ousado, cores alteradas, olheiras disfarçadas. Mas a promessa é assim básica, estou parada, imobilizada, me olhe , se iluda, aproveite estou nua.
Feche os olhos e pense. Amanhã 6 e meia levanto. Café pronto, moto ligada, mochila nas costas, água no rosto. Despertou, é o ofício, fuma um cigarro, só mais um vício.
Fome, arroz , feijão , bife e berinjela. Sobremesa, só mulher continua na mesa. Chocolate, momento de felicidade. Degusta fervorosamente, orgasmo gastronômico. Serotonina sangue do meu sangue. Fervendo no inferno da gula e prazer.
Para alguns a razão e o saber são mais prazerosos que comer.