quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Um só momento de reflexão

O sol dessa época do ano me atordoa. Poucas vezes paro pra pensar, mas no fundo sei que tenho orgulho de viver no país que tem o passaporte mais valioso do mercado negro. Qualquer foto pode ser aplicada nele que não tem problema, seja índio, turco, japonês, caucasiano, ruivo ou negro. Todos são aceitos. Nesse país da mistureba extrema. Parece que colocaram todas as nacionalidades em um liquidificador. Passo um tempo observando a rua e pensando, o que fazem todas essas pessoas que estão por aqui a passar. Vidas. Tarefas. Destinos. O que as deixam felizes? O que as deixam tristes?
Tento adivinhar. Fico chutando algumas características, preferências sexuais, pequenos espaços de seus passados.
Me distraio assim dos pensamentos sobre os meus assuntos. Chatos. Nada promissores. Medíocres.
E a moça que passa agora pela esquina carrega com ela um bebê, não é casada e trabalha, é secretária. Além disso, esconde sua tara por homens acima do peso.
Aquele ali que carrega nas veias o sangue indígena, na certa, fez suas malas há 2 anos e deixou o Pará, com tantos sonhos que as estrelas seriam mais fáceis de contar. Mas, chegando na cidade grande, nada assim tão bom lhe ocorreu, mas a esperança ainda vive, no coração de um pobre rapaz que já não sabe mais do que corre atrás.
Aquele senhorzinho de camisa xadrez tanta vida já teve em mãos, agora começa seu descanso que, mais dia menos dia, será eterno. Caminha lento entre as poucas árvores e tanta fumaça, caminhando, caminhando, caminhando...
A senhora, que leva em mãos o guarda-chuva já sabia que, certamente, às 18h a garoa viria.
Uma menina ali parada no ponto de ônibus, nem se preocupa com a presença na rua das “primas”. Inocente, saia comprida, milho entre os dentes, tem toda a vida pela frente, e ainda não descobriu a maldade dos homens. Desconhece o cinismo, a corrupção, o egoísmo e a falta do povo de observação. É a pureza e natureza humana personificada, ainda não juntou seus calos, nem arrependimentos e nem mágoas.

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