quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Observando a rua

Observando a rua, paro
Começo a viajar
O barulho dos veículos
Me lembra o som agradável do mar

O fluxo das pessoas
Perfeito, linear
Seja a mãe com o filho no colo
A mulher da vida
Com um chapéu de penas vermelhas
Os vendedores de urso de pelúcia
Ou o ciclista maluco no rádio a falar

Só observo
Só observo
Meu pensamento
Chega a parar
Como as nuvens que hoje estão no céu
O raro céu azul de são paulo

É se hoje vejo a vida mais clara
Seja dentro de uma fé ingrata
Como qualquer besteira barata
Mas a cidade hoje não é caótica
Só porque nem liguei a TV

Ou porque não chove
Ou porque hoje não uso o transporte público
Ou porque não quero nem saber
Lento, lento, lenta
Passa passa e nem vejo o tempo
Outra coisa que não existe
Se não pra aqueles que inventaram o relógio.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ontem

Ontem quando o vi
meu coração quis pela boca sair

Eu amo ele como amigo
Eu amo ele como irmão
Eu amo ele como o homem que sempre quis
Eu amo ele com tesão

Mas, nem sequer senti
A pressão dos seus lábios
Na minha face
Tão frio
Tão distante
que é sua cabeça

Eu tão apaixonada
Tão desarmada
nunca sei
o que fazer
diante da sua presença

Meu coração dispara
perco o sono
perco a rima
perco a fala

Um suspiro grosso
Será que sente
O gosto
Da minha paixão
Desamparada?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Amanhã

Dá pra viver sem amor
Dá pra ser alegre sem amar
O que não dá é pra ser feliz
Amando assim em segredo
Guardando toda graça
Esperando o enredo

Platônico sim
É o meu sentimento
Te idealizo
Te imagino

A cada dia
A cada instante
É só perigo
Meu amigo
Minha ilusão
Um aconchego
Só historinha
Da minha imaginação

Não tenho pressa
O que perco
Nem me interessa
A hora por mim
Seria agora
Mas te espero

Amanhã...

sábado, 26 de janeiro de 2008

São Paulo, meu lar.

Primeiro, achei bem estranho
Viver em cima e em baixo de outras pessoas
Tantos prédios, tanto concreto, tanto cinza
Senti falta de cumplicidade e amizade
À noite, olhei tantas vezes para o céu,
Na ilusão de ver estrelas.

Tempo passou, e agora não vivo mais sem o agito
Sem a correria e a loucura
Se passo mais tempo na cidade natal, enlouqueço
Quero ouvir as buzinas e freqüentar os botecos
Quero ver toda a gente indo e vindo.

A cidade não pára
Posso pedir comida indiana de madrugada
Cinemas, teatros e shoppings
Parques planejados e pequenos bosques
Tudo iluminado, tudo aceso
Vida noturna, muita cultura.


Aqui encontro agora um lar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Crua

Vivo falando sobre a intensidade com que a vida deve ser vivida.
Mas, posso só observar e chego a passar pelos dias totalmente fria.
Sempre em busca de novas ilusões, novos amores e novas paixões.
Mas, nunca saio desse meu patamar, de mera e frígida observadora.
Falsifico com palavras as emoções. Que há tempos não sinto.
Quem me dera sofrer de amor.
Sentir furor e calor.
Nessa minha alma fria de poeta vadia, nada se aprofunda, nada me afeta.
Não sou capaz de derramar uma lágrima sequer.
Às vezes, nem me sinto mais mulher.