quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vinho Francês


Conto aqui uma historinha

Bom, ano passado aconteceram algumas coisas diferentes. Me apaixonei perdidamente, mas o cara estava em começo de namoro, com outra, claro. Enfim, muitas coisas rolaram, e no fim tentando dar um basta no triangulo disse para que ele escolhesse. E para meu infortúnio, não fui eu a escolhida.
Passei por momentos de ciúme extremo, raiva, incompreensão, tristeza.
Então conheci outro cara legal. A principio não estava muito interessada, não via muita graça. Mas com o passar do tempo, sua companhia foi se tornando especial. Seu charme, inteligência e seu encanto por mim me conquistou.
Muito parceiro e compreensivo,  tivemos sempre uma cumplicidade grande, e abertura para todos tipos de assunto. Dessa forma, nunca escondi dele aquela outra paixão que me arrebatou antes de nos conhecermos. Um dia desses cruzamos por ai com o casal, o cara que não me escolheu e sua namorada. E muito sensível que é meu namorado, notou uma mudança em  meu semblante.
Ficou calado, estranho. E durante a noite resolvi conversar e ver o que o incomodava.
-       Ele ainda mexe com você. – Disse com ar sentido
-        Respondo: só sobrou um pouco de mágoa, afinal imagine a seguinte situação:
Vi na vitrine da loja uma bota maravilhosa, que me serviu perfeitamente e caiu bem. Porém uma outra mulher chegou antes e a levou pra casa. Enfim, mesquinharia de mulher, richinha boba.
Fiquei triste por algum tempo, até encontrar uma bota muito mais bonita, confortável e que com certeza durará muito mais.
-       Ahm eu sou uma bota? – disse ele
-       Sabe as vezes sinto-me um premio de consolação.
Respondi de imediato:
-       Hey, não faz sentido, te conheci depois...

No dia seguinte fomos jantar, e de sua adega saiu um vinho tinto francês incrível, encorpado, saboroso e perfeito. Então era sua vez de me contar uma história, nesse estilo metáfora, e essa era verídica.
Vamos nomear como história do cliente ingrato:
Em seu restaurante havia noites em que as mesas todas se ocupavam, deixando alguns clientes na espera para poder se sentar. Eram apenas duas famílias que aguardavam para degustarem a melhor comida italiana da cidade. Atarefado, ele que fazia vezes de recepcionista, caixa e garçom, cometeu um engano e acomodou na primeira mesa a vagar a segunda família que chegou no restaurante. Assim,  a mulher da família que ficou 5 minutos a mais em pé, se incomodou muito e reclamou.
Depois de já acomodados, para compensar seu erro, ele serve esse mesmo vinho francês na mesa da mulher como cortesia da casa e pedido de desculpas. Escolheu seu vinho mais nobre da adega para servir. Ao final do jantar, já no fechamento da conta, a mulher agradece pelo gesto, porém solta uma:
-       Legal nos presentear com um vinho, porém podia ter sido um moscatel, um assim mais docinho né?

Contou a história só até ai e me deixou a pensar. Moral da história?
-       Você entendeu? - perguntou
-       Disse que sim, ele poderia ter economizado e servido algo mais “docinho” que teria agradado mais.
-       Sim, mas você vê como são as coisas? Para quem não sabe apreciar um bom vinho,  até um chapinha agradaria mais. Continuou: - Quem não tem o paladar aguçado, não está preparado para um vinho de qualidade, pode até experimentar, mas não saberá apreciar e dar o seu valor.
-       Hammmm....
-       E você é meu vinho francês!– concluiu.