Conto aqui uma historinha
Bom, ano passado aconteceram algumas coisas diferentes. Me
apaixonei perdidamente, mas o cara estava em começo de namoro, com outra, claro.
Enfim, muitas coisas rolaram, e no fim tentando dar um basta no triangulo disse
para que ele escolhesse. E para meu infortúnio, não fui eu a escolhida.
Passei por momentos de ciúme extremo, raiva, incompreensão,
tristeza.
Então conheci outro cara legal. A principio não estava muito
interessada, não via muita graça. Mas com o passar do tempo, sua companhia foi
se tornando especial. Seu charme, inteligência e seu encanto por mim me
conquistou.
Muito parceiro e compreensivo, tivemos sempre uma cumplicidade grande, e
abertura para todos tipos de assunto. Dessa forma, nunca escondi dele aquela
outra paixão que me arrebatou antes de nos conhecermos. Um dia desses cruzamos
por ai com o casal, o cara que não me escolheu e sua namorada. E muito sensível
que é meu namorado, notou uma mudança em
meu semblante.
Ficou calado, estranho. E durante a noite resolvi conversar
e ver o que o incomodava.
-
Ele ainda mexe com você. – Disse com ar sentido
-
Respondo:
só sobrou um pouco de mágoa, afinal imagine a seguinte situação:
Vi na vitrine da loja uma bota maravilhosa, que me serviu
perfeitamente e caiu bem. Porém uma outra mulher chegou antes e a levou pra
casa. Enfim, mesquinharia de mulher, richinha boba.
Fiquei triste por algum tempo, até encontrar uma bota muito
mais bonita, confortável e que com certeza durará muito mais.
-
Ahm eu sou uma bota? – disse ele
-
Sabe as vezes sinto-me um premio de consolação.
Respondi de imediato:
-
Hey, não faz sentido, te conheci depois...
No dia seguinte fomos jantar, e de sua adega saiu um vinho
tinto francês incrível, encorpado, saboroso e perfeito. Então era sua vez de me
contar uma história, nesse estilo metáfora, e essa era verídica.
Vamos nomear como história do cliente ingrato:
Em seu restaurante havia noites em que as mesas todas se
ocupavam, deixando alguns clientes na espera para poder se sentar. Eram apenas
duas famílias que aguardavam para degustarem a melhor comida italiana da cidade.
Atarefado, ele que fazia vezes de recepcionista, caixa e garçom, cometeu um
engano e acomodou na primeira mesa a vagar a segunda família que chegou no
restaurante. Assim, a mulher da família
que ficou 5 minutos a mais em pé, se incomodou muito e reclamou.
Depois de já acomodados, para compensar seu erro, ele serve
esse mesmo vinho francês na mesa da mulher como cortesia da casa e pedido de
desculpas. Escolheu seu vinho mais nobre da adega para servir. Ao final do
jantar, já no fechamento da conta, a mulher agradece pelo gesto, porém solta
uma:
-
Legal nos presentear com um vinho, porém podia
ter sido um moscatel, um assim mais docinho né?
Contou a história só até ai e me deixou a pensar. Moral da
história?
-
Você entendeu? - perguntou
-
Disse que sim, ele poderia ter economizado e
servido algo mais “docinho” que teria agradado mais.
-
Sim, mas você vê como são as coisas? Para quem
não sabe apreciar um bom vinho, até um
chapinha agradaria mais. Continuou: - Quem não tem o paladar aguçado, não está
preparado para um vinho de qualidade, pode até experimentar, mas não saberá
apreciar e dar o seu valor.
-
Hammmm....
-
E você é meu vinho francês!– concluiu.