quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Faxina


Arrumei os armários

Limpei prateleiras

Organizei os retratos

Tirei o pó e as ratoeiras


Dissolvi a memória em frames

Editei de forma mais coerente

Doei o que não combinava mais
Joguei fora o que não prestava



A mente enevoada ficou clean

Arranquei o amargo do peito

Mudei todas as cores

Descolori e sumi com o preto


Reguei as flores

Troquei de perfume

Acendi o brilho

De morcego a vaga-lume



Liberei espaço para novidades

Incinerei e enterrei

Mágoas, rancores e inimizades

Encaixotei e me libertei



Um passo a frente na mente

Um para traz desse precipício

De um triste fim

Iminente sábio e alegre início



Sinto-me um broto

Que com água fresca há de florescer

Mandei o tóxico pro esgoto

E com sutileza dia a dia livro-me de você



Uma coincidência bela

Ser o fim do inverno

Iniciar pra mim a primavera