Arrumei os armários
Limpei prateleiras
Organizei os retratos
Tirei o pó e as ratoeiras
Dissolvi a memória em frames
Editei de forma mais coerente
Doei o que não combinava mais
Joguei fora o que não prestava
A mente enevoada ficou clean
Arranquei o amargo do peito
Mudei todas as cores
Descolori e sumi com o preto
Reguei as flores
Troquei de perfume
Acendi o brilho
De morcego a vaga-lume
Liberei espaço para novidades
Incinerei e enterrei
Mágoas, rancores e inimizades
Encaixotei e me libertei
Um passo a frente na mente
Um para traz desse precipício
De um triste fim
Iminente sábio e alegre início
Sinto-me um broto
Que com água fresca há de florescer
Mandei o tóxico pro esgoto
E com sutileza dia a dia livro-me de você
Uma coincidência bela
Ser o fim do inverno
Iniciar pra mim a primavera