quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Suave Sopro

E lá vai de novo,
Aventureira de paixões,
Sentindo um turbilhão na alma,
Que parece mais forte do que jamais foi.

Um frio quase macio,
Que começa na ponta do dedo,
Sobe, Sobe,
Esquenta, esfria.

Dizem isso ser doença,
Se for, patologia melhor não há
Dá mais vontade de respirar,
Dá vontade de abraçar a tarde fria,
Da noite quente nunca terminar.

Palavras meladas no ouvido
Mexe, gela, incendeia
Algo que pega no fundo do umbigo
Corre, veloz e quente na veia
Sussurro, urro, gemido
Toda veste vai, até a meia.

Do lobo, o uivo cumprido,
Da lua, a luz cega e clareia,
Da chuva, o molhado, libido
Do vento, o sopro de sereia.

Flechou certeiro o cupido,
Me derrete feito manteiga,
Aquele segredo proibido,
A chave da coisa mais meiga.

Intelecto e instinto permeia,
Abusa e toca no fundo,
Jogada nua na areia,
Entra e Invade meu mundo.

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